quarta-feira, 22 de maio de 2013

Não há amor sem ódio..




“Acabei de cortar o meu dedo nos cacos do meu coração, acabei de redescobrir com este ato o sabor adocicado que o sangue humano tem, senti saudades da época em que o combustível que me movia era o sangue odioso que inflamava as chamas da vingança que eu cometia dia após dia á pessoas que me faziam chorar.
Bons tempos aqueles nos quais eu ainda não sabia amar, ou melhor, não queria amar. Dias promissores que me elevaram á um patamar do qual não vou esquecer, eu via as pessoas e as coisas do alto, não precisava me preocupar com ferimentos emocionais pois ao ferir eu não sentia dor, eu sentia prazer, puro mas amargo ao mesmo tempo, um prazer diferente e excitante, tal como uma droga que ao invés de matar meu corpo, sufocava meu coração e matava a minha alma, afogada por palavras que eu devia dizer mas que nunca disse. Lembro do meu orgulho como se ele estivesse tentando sair de onde o escondi neste exato momento. Quem sabe? Ainda está em tempo de eu me colocar no centro de novo e fazer todos girarem ao meu redor.
Talvez não valha a pena, mas depois que perdi o amor por mim, o amor ao próximo não faz mais sentido. Se a minha felicidade para o ouro não importa, a felicidade do outro pra mim só vai servir para escorar as portas do inferno para o qual eu irei, prolongando assim a dor dos que pelas minhas mãos ensangüentada sofrem, a amargura que trago no meu peito já não pode ser retirada pois a maldade entrelaçada nos nós dos meus dedos se prende a realidade me guiando pelo labirinto de emoções fétidas e podres que não servem para mais nada a não ser para serem ignoradas com gosto. Odeio o fato de ter amado um dia.”

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